Não é nada disso. Eu apenas me deixei levar pelos pensamentos que me assombram e me fazem entender que tudo o que passamos, passou. É... simplesmente passou. Não volta mais. É uma pena...
Não que eu queira reviver os mesmos dias e as mesmas sensações. Ao contrário! Preciso de novos ares, novas histórias e sentir as estações passarem por mim: as flores desabrochando, os raios de sol se instalando em minha pele. O vento correndo em meus cabelos e o cheiro das folhas do outono, no parque.
Sim, preciso de tudo isso. Noto que preciso de muito mais do que me permitia ter. Me limitei, me anulei, me aparei por você. Me contive, me inibi, me prendi por você. Me deixei seduzir pela visão de um futuro programado, certeiro e conveniente. Só não contava com a virada no último minuto, só não esperava ter que mudar os planos, reanimar antigos sonhos e desejos dentro de mim.
E tudo o que consigo dizer é: esse futuro não me pertence mais.
O que me pertence é a incerteza do amanhã, a dor da perda. O luto.
Talvez, tudo tenha desmoronado no momento em que deixei de ser eu e me tornei teu personagem, teu sonho de consumo. Se ao menos tivesse tido a coragem de ser falha, de ser mais humana e não me importar tanto em permanecer no pedestal que, um dia, você montou pra mim...
Pois, por tanto tempo fui sua - e somente sua- que nem sei mais ser minha. QUEM SOU EU?
Você me desconfigurou com a minha permissão. Você me desenhou com o meu consentimento.
Não há culpa, mas se houvesse, ela certamente seria minha. Tão minha que seria traição repartí-la.
Eu só, realmente, gostaria de agradecê-lo por tudo. Se não fosse por você, eu não veria o que eu espero e desejo alcançar na minha vida.
E lembra: isso não é um "Adeus"!
É somente um "Até Logo!".
Mas, agora, eu sigo. E te deixo aqui...
